
Todos os sábados eram espectaculares para o Gil. Eram as tardes que mais gostava. O pai ficava em casa a dormir; era a mãe que o levava; todos os fim-de-semana ia brincar para o parque.
O pequeno parque infantil era enorme para o pequeno Gil.
Começara a andar á pouco tempo, por isso gatinhar ainda era a sua especialidade.
Sob o olhar atento da sua mãe sentada na esplanada ao lado, Gil divertia-se á brava.
Era vê-lo fazer pequenos castelos com pouca areia e muita imaginação;
Adorava atirar-se de cabeça pelo escorrega, para desespero da mãe;
Subia com ligeireza a casita de ferro e de lá de cima admirava todo o seu mundo…
Mas a sua companheira preferida era mesmo a pequena bola de plástico;
Juntos jogavam futebol horas a fio: empurrava-a para aqui, pontapeava-a para ali e ia busca-la acolá. Foi neste frenesim que aprendeu a andar…
Gil sentia-se feliz no seu pequeno mundo; mas também intrigado.
Curioso como era, Gil tinha um grande segredo:
Vivia obcecado com a Estrada.
Nunca andou nela; se o fazia era apenas de carro, mas a sua pequena estatura não permitia vê-la, sempre apertado na sua própria cadeira.
Quando saía, levavam-no pelo passeio; vai-se lá saber porquê.
Até o atravessar era frustrante: paravam no passeio, olhavam atentamente, atravessavam rapidamente e só descansavam do outro lado.
Sempre que subia ao topo da casita conseguia ver o preto onde os carros andavam; esses sim é que têm sorte.
Brincava mesmo em frente ao passeio para ficar mais perto da estrada e tentar perceber o que lá se passava.
Mas o que ele queria mesmo era andar em cima dela; sozinho…
Muitas vezes tinha o ímpeto de ir ter com ela; mas o alarme da mãe sempre o surpreendia; sem saber porquê.
Até a boa partilhava da sua inquietação.
Quando olhava a estrada, a bola, presa nas suas mãozitas, termia de excitação.
Fazia-a a saltar de um lado para o outro só para se distrair mas, o que ambos queiram estava bem ali… A olhar para eles.
Sem saber como, a bola separa-se do dono saltando de contente;
Primeiro aqui no passeio,
Depois ali na estrada,
E por fim, acolá na outra berma da estrada.
Pulava alegremente como a troçar do seu mestre; pois conseguira o que ele nunca fora capaz.
Tinha de a ir buscar;
Olhou para a mãe, esta estava de cigarro na mão vasculhando algo na mala, talvez aquela coisa que faz fogo.
Era a sua grande oportunidade:
Levantou-se com alguma ginástica e, tentando equilibrar-se, partiu para a aventura…
“ – Huau! É mesmo preto… Tá quente e cola-se ás sapatilhas….”
Estava radiante com a sua descoberta; era tudo novo para ele; Novo e Preto…
“- Huau! Um carro… Vem mesmo ter comigo!… Fixe!!!...”
FIM
---""--- (Fim alternativo)
...Deixe de fumar; pela sua saúde e pela dos seus!!!
(Vejam comentário.)