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Um último cigarro















É as manchas nos dedos,
A tristeza do último cigarro,
E o isqueiro na outra mão,
Para ajudar na destruição.

O acto é penoso, mas necessário.

A breve chama incomoda os olhos aguados,
Cintila a brasa perdida na escuridão.

Como a vida:
O Ar arranha ao entrar,
E sonoro à saída
Ninguém o ouve.

São sussurros lentos,
Pensados a quente,
Abandonados a frio.

E como a vida:
Começa com uma faísca,
Termina com um apagão,
E um arremesso para a berma da estrada.

A Vida,
Essa continua,
Indiferente às palavras profundas,
Aos gestos marcantes,
E ao lixo nas ruas.

Melodia


No universo do silêncio,
No espaço sem som,
Fico prostrado sem reacção.

No meio do nada,

Aparentemente sem nada,
Apareces sem ser convidada.

Lenta e vagarosamente,

Como aquele leve sussurro,
Abres-me o apetite, deliciosamente.

Aproximas-te simples e nua,

Encantas sem preconceitos,
E falas-me ao coração.

Nota após nota, 

Numa harmonia perfeita,
Falas com sentimento.

É que uma boa melodia,

É como a própria vida:
Bela e maravilhosa.

Algo porque vale a pena ouvir, viver e lutar.


A vida com música,

É a música da vida.

Destino


O Destino está traçado;
Desde o dia em que nascemos,
Até ao momento em que padecemos.

O Destino e está cravado no nosso ADN;
Como cravadas estão as linhas,
Em que assenta o comboio,
E se arrasta num percurso predefinido.
Por mais curvas e cruzamentos que existam,
Segue sempre a sua linha pensada para ele.


O meu destino está feito;
Basta olhar para traz e ver a linha que me segue,
Como a sobra fiel que imita todos os movimentos.


Eu percorro o trilho já construído:
O trilho da Vida.
A cada decisão existe uma encruzilhada;
O caminho divide-se em vários outros diferentes,
Tantos mais quanto o nº de possibilidades existentes.
Basta então escolher um deles;
Mediante o leque de opções, a nossa consciência e valores;
E seguir o nosso velho novo caminho, já marcado pela Vida.

A Vida existe á nossa volta, basta vive-la.
É da interacção com as outras Vidas que surgem as decisões, as encruzilhadas.
É a Vida a ampliar-se, a cresce, a evolui… Dentro dela própria.

Vivemos o nosso Destino,
Dia-a-dia
Decisão em decisão
Entre opções e escolhas múltiplas.

O destino é a certeza do Passado,
E a possibilidade do Futuro.

Mas uma coisa é certa:
Estamos pré-definidos a viver esta vida…
…Até que ela acabar…

A sala de espera Declamada...

Aqui está o pequeno vídeo de Miguel Guilherme a declamar o meu texto "A sala de espera do hospital":




Nota: Se a música do blog não desligar, basta clicar duas vezes no vídeo para o abrir noutra página ou separador.

Espero que gostem e comentem.

"A Sala de espera do Hospital"



Meus caros amigos;

É com muito prazer que estou hoje aqui, não a escrever qualquer análise, mas a informar algo de alguma importância; pelo menos para mim.
Costumo acompanhar o programa Antena 1 da RDP(720Khz): “A História de Vida”. Neste programa as pessoas enviam pequenos textos sobre momentos da sua vida pessoal. Estes, se forem aceites, serão lidos por Miguel Guilherme e comentados pelo próprio, por Inês Fonseca Santos (apresentadores do programa), e sempre por um convidado.
Acontece que, á cerca de um mês, enviei um texto de minha autoria para o programa.

Trata-se de um pequeno episódio da minha vida passado na sala de espera do Hospital Santos Silva em Vila Nova de Gaia. Na altura nada liguei pois a pressão do momento o impediu. Agora recordo o momento com simpatia pois ajudou a aliviar a dor…

É Então com muito gosto que este vai ser lido em directo no próximo dia 24 de Maio, Domingo às 13h, horário do programa.

Gostava que ouvissem o programa e comentassem aqui o meu texto: “A Sala de espera do Hospital”.

Desde já um muito obrigado pela atenção;
Pedro Guedes Fonseca.

A viva

O que é a vida?

A vida é o sobro que nos sai regularmente da boca.
É o leve piscar desses olhos que me encantam.
A vida é o bater do teu coração que ecoa nos meus ouvidos quando me encosto a ele.
É podermos cumprimentar alguém e dizer “Até amanha!” sabendo que esse amanha existe.

Mas,
Com um único sopro,
Com um leve picar de olhos,
Como o último batimento do coração,
O amanha pode deixar de existir.

A vida é a mais pequena bóia que nos mantém á tona da água.
A vida é uma fina corda que nos eleva montanha acima, lentamente.

A vida é o nosso dia-a-dia com o propósito de vivermos o amanha.

Essencialmente vivemos disso;
De estarmos cá amanha,
Para fazermos aquilo que não fizemos hoje.
Para fazermos valer as nossas expectativas.

Mas esse amanha pode não vir.

E então,
Ficamos parados no tempo com a possível perda de alguém querido.
Perdemos a respiração ao pensar que não nos encontraremos mais;
Abrimos a boca tentando dizer o que ficou por dizer;
Cerramos os olhos com raiva de não termos feito mais...

E choramos...

O choro é a nossa alma a lamentar-se.
Um lamento que nos vem do fundo,
Que nos aperta o coração,
Altera a nossa respiração,
Dói ao sair da alma e chegar cá fora...

É uma torrente que vem cá do fundo.
Onda de sentimentos que sentimos quando deixamos de sentir algo.

E depois ficamos melhor.
Não sabemos porquê,
Nem como,
Mas voltamos ao normal (temporariamente).

Foi a alma que “falou”...