Mostrar mensagens com a etiqueta Vento. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Vento. Mostrar todas as mensagens

Quero fugir

Quero fugir...

Para onde o silêncio do vento,
Esfria a alma.
Para onde a dureza da rocha,
Enrijece o espírito.
Para onde a claridade do céu,
Escurece o nosso ser.
Lá, no topo da montanha;
Mais perto do céu,
Mais longe dos terráqueos.
Lá, deitado com a vista perfeita;
Entre o paraíso desejado,
E o inferno entranhado.
Ali a paz é rainha do infinito.
Para todo o nosso pequeno sempre.



Praia



É uma sensação maravilhosa:
Sentar, deitar, espreguiçar.
Finalmente ficar prostrado,
Em paz.

É o doirado do céu,
Que faz os olhos fechar,
E divagar no calor da tarde.

É aquela fumaça trapaça;
Que se escapa por entre os dedos,
E me faz descansar dos meus medos.

É o deserto escaldante,
Tão deslumbrante,
Que me faz ignorar toda a gente.

E a preguiça toma conta de mim,
Numa sincronia perfeita,
Entre homem e natureza,
Entre o mau dia que passou,
E a bela tarde que passa.

Então porque tem sempre de aparecer aquele vento gelado a mandar-me para casa?

O vento


Adoro passear, vaguear sem sentido;
Ao sabor da vontade,
Ao travor do prazer,
Com cheirinho irreverente.

Adoro caminhar na praia sem deixar pegadas;
Dançar aquela música com as ondas brancas,
Aquele balançar salgado bem ritmado,
Num rodopiar majestoso e efémero.


Vejo um barco e vou trabalhar:
Adoro empurrar barcos para bom porto,
Rodopiar nos moinhos-de-vento,
E produzir aquela vibração ao toque.

É trabalhar até suar… até caírem gotículas no chão poeirento.
  
Vejo uma multidão e desato a acelerar;
Adoro empurrar pessoas:
Levanto as saias das meninas,
Roubar os chapéus dos homens;
Não fico com eles, apenas atiro-os para longe,
E fico distante a vê-los correr atrás deles.

São aquelas brincadeiras de crianças que mantemos em adultos.

Mas quando te vejo ao longe,
Sentada naquele distante banco de pedra,
Logo corro de mansinho, para não te assustar.
Abraço-te tão levemente como um manto invisível,
Sopro-te ao ouvido notas tão pequenas como imperceptíveis,
E do fundo da espinha nasce o arrepio de prazer;
Um buliçoso pensamento que percorre o corpo contraído.

Mas quando me olhas não me vês;
Nunca me vês, apenas me imaginas.
Pois já cheguei e já parti,
Num movimento perpétuo impossível de parar.

Elevo-me no ar, o meu elemento;
Percorro o mundo, a minha natureza;
E faço respirar o mundo, para todo o sempre…