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A corda Bamba


Há que seguir em frente, de cabeça erguida;

Passo a passo, prudente e cauteloso,
Pois a vida é cheia de percalços.
Há que encarar o objectivo e dele não tirar o olhar,
Pois a corda é bamba e balança ao sabor dos dissabores.
É que há dias em que a tempestade nos faz tremer os pés,
E instintivamente olhamos para baixo:
Então vemos precipício e vacilamos,
Tremem-nos as pernas que nem varas verdes,
Pressentimos aquela possível e inevitável queda…

Temos é de levantar o queixo e respirar fundo,
Engolir em seco e sorrir em volta.
Só então veremos o fundo da corda,
Para ao fundo chegarmos salvos.

Mas os ventos maléficos desta vida,
E a chuva pesada da idade,
Rebaixam-nos á nossa pequenez,
E prostrados visualizamos o pior.
Fixamos o abismo e a atracção pelo negativo toma conta de nós.
Perdemos o equilíbrio balançamos desorientados.
E no pior momento,
É quando não devemos que tombamos com o desespero.

Sentimos a força da queda a sugar-nos sempre para baixo,
Como se fosse o único sentido do sentido da vida.
O último pensamento é mesmo pensar que é o último.
E, se tivéssemos uma mais oportunidade,
Ficaríamos apenas tristes por não haver mais tempo.

Escolha


Escolhi escrever este texto porque tenho essa opção.
Podia ter feito outra coisa qualquer; mesmo!
Mas tomei esta decisão no seio de um manancial de escolhas.

A vida é assim…



Vivemos unicamente disso,
E consequentemente morremos disso.

No entretanto,
Nesse pequeno momento mágico entre o inicio e o fim da vida,
Nesse monumental intervalo cheio de publicidade,
Nesta ilha espaço/temporal em que nos encontramos,
Existe apenas um único objectivo:

A Escolha.

Nascemos para decidir,
Respiramos alternativas,
Vestimos preferências,
E debitamos critérios uns aos outros.

Desde aquela grande decisão que é o acordar,
Até á pequena escolha que define o nosso rumo na vida.

A cada segundo existem infinitas possibilidades, infinitas escolhas.
Assim roda o mundo á nossa volta:

Múltiplas escolhas.

NÃO. Não existe múltiplas escolhas;
Escolhas difíceis com milhares de hipóteses,
Decisões complicadas com milhares de probabilidades.

NÃO, nada disso.

O mundo não é multicolor;
É simplesmente preto e branco.
Tudo o resto é a mistura dessas duas cores.
Multiplicações sucessivas para obter o mais belo arco-íris.
Mas partimos sempre de uma decisão simples:
Ou É ou não É.

Vivemos numa corda bamba com apenas duas opções:
Ou nos equilibramos ou não,
Ou olhamos para cima ou para baixo,
Caímos para a esquerda ou para a direita…

A moeda apenas tem duas faces,
E só uma delas fica virada para cima.
Cada decisão a tomar, por mais probabilidades que tenha,
Escolhemos sempre entre o sim ou o não; o ser ou não ser.
E lentamente, entre cada micro opção,
Definimos o nosso famoso destino.

Mas a grande decisão mesmo,
É saber quando acabar este texto.
Podia dissertar sobre as escolhas da vida,
Ou parar enquanto posso.
Eis a Questão…

Destino


O Destino está traçado;
Desde o dia em que nascemos,
Até ao momento em que padecemos.

O Destino e está cravado no nosso ADN;
Como cravadas estão as linhas,
Em que assenta o comboio,
E se arrasta num percurso predefinido.
Por mais curvas e cruzamentos que existam,
Segue sempre a sua linha pensada para ele.


O meu destino está feito;
Basta olhar para traz e ver a linha que me segue,
Como a sobra fiel que imita todos os movimentos.


Eu percorro o trilho já construído:
O trilho da Vida.
A cada decisão existe uma encruzilhada;
O caminho divide-se em vários outros diferentes,
Tantos mais quanto o nº de possibilidades existentes.
Basta então escolher um deles;
Mediante o leque de opções, a nossa consciência e valores;
E seguir o nosso velho novo caminho, já marcado pela Vida.

A Vida existe á nossa volta, basta vive-la.
É da interacção com as outras Vidas que surgem as decisões, as encruzilhadas.
É a Vida a ampliar-se, a cresce, a evolui… Dentro dela própria.

Vivemos o nosso Destino,
Dia-a-dia
Decisão em decisão
Entre opções e escolhas múltiplas.

O destino é a certeza do Passado,
E a possibilidade do Futuro.

Mas uma coisa é certa:
Estamos pré-definidos a viver esta vida…
…Até que ela acabar…

Olha, é o destino

Dizem que é o destino,
Mas eu não acredito.

Dizem que é o destino que nos põe as boas coisas á frente,
Aquelas mesmo que deixamos passar.

Dizem que é o destino que nos traz os males da nossa vida,
Aqueles mesmo que nós próprios fazemos.

Dizem que é o destino que nos traz os bons amigos,
Aqueles que zelam e se preocupam connosco.

Também dizem que é o destino que nos leva os mais queridos,
Aqueles que, por serem tão bons, são os que mais fazem falta.

Dizem que é o destino que nos arranca um pedaço de nós,
Quando alguém amigo deixa de estar entre nós,
Sim, arranca aquela alegria de viver e nos deixa a tristeza da saudade.

Dizem que é o destino,
Mas eu não acredito.