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A corda Bamba


Há que seguir em frente, de cabeça erguida;

Passo a passo, prudente e cauteloso,
Pois a vida é cheia de percalços.
Há que encarar o objectivo e dele não tirar o olhar,
Pois a corda é bamba e balança ao sabor dos dissabores.
É que há dias em que a tempestade nos faz tremer os pés,
E instintivamente olhamos para baixo:
Então vemos precipício e vacilamos,
Tremem-nos as pernas que nem varas verdes,
Pressentimos aquela possível e inevitável queda…

Temos é de levantar o queixo e respirar fundo,
Engolir em seco e sorrir em volta.
Só então veremos o fundo da corda,
Para ao fundo chegarmos salvos.

Mas os ventos maléficos desta vida,
E a chuva pesada da idade,
Rebaixam-nos á nossa pequenez,
E prostrados visualizamos o pior.
Fixamos o abismo e a atracção pelo negativo toma conta de nós.
Perdemos o equilíbrio balançamos desorientados.
E no pior momento,
É quando não devemos que tombamos com o desespero.

Sentimos a força da queda a sugar-nos sempre para baixo,
Como se fosse o único sentido do sentido da vida.
O último pensamento é mesmo pensar que é o último.
E, se tivéssemos uma mais oportunidade,
Ficaríamos apenas tristes por não haver mais tempo.

A Queda


É com todo o gosto que estendo o braço rendido.
Acto altruísta de quem quer oferecer;
Dar e receber num mutualismo de puro amor.

Aproximo-me sorrindo, e com humildade,
Entrego o meu coração que tenho nas mãos,
A outras que o querem receber.

Do outro lado, as mãos pálidas quase transparentes,
Parecem receber esta oferta dos Deuses;

Então o sorriso cresce,
O rubor aumenta
E o coração, esse bate cheio de vida.

Momento único esta passagem de testemunho.

Mas, sem razões que a razão conheça
Nem as emoções controlem,
O coração nada encontra do outro lado.

E na efémera dúvida… cai…
Precipita-se para o negro vazio,
Abandonado numa queda inevitável.

Embate naquele chão frio que é a realidade,
Parte-se com a dor do sentimento,
Estatela-se nas pedras da lamentação,

E perdido na noite obscura,
Prostrado na frustração
Tenta em vão arrastar-se para casa…