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Como Ela foge Dele


O Rato foge do Gato,
Como Ela foge Dele.
O Rato corre pela sua vida;
Com medo de ser comido, de perder algo; ele.
O Gato vai no seu encalço;
Persegue o seu manjar com todas suas forças.

A vida é assim; é a realidade, é natural.

Mas na realidade, a realidade é outra.

O Gato segue o seu compincha pois é seu amigo.
O Rato vai á frente e encaminham-se para mais uma traquinice.
Ambos brincam neste jogo quase perigoso.
Mas quando param riem-se;
Pois sabem que não param,
Amanha há outro episódio.

É que nos intervalos ambos são mesmo amigos.
Pensam um no outro e preocupam-se.

E no fim da série, ficaram juntos...
...Para sempre...

O vento


Adoro passear, vaguear sem sentido;
Ao sabor da vontade,
Ao travor do prazer,
Com cheirinho irreverente.

Adoro caminhar na praia sem deixar pegadas;
Dançar aquela música com as ondas brancas,
Aquele balançar salgado bem ritmado,
Num rodopiar majestoso e efémero.


Vejo um barco e vou trabalhar:
Adoro empurrar barcos para bom porto,
Rodopiar nos moinhos-de-vento,
E produzir aquela vibração ao toque.

É trabalhar até suar… até caírem gotículas no chão poeirento.
  
Vejo uma multidão e desato a acelerar;
Adoro empurrar pessoas:
Levanto as saias das meninas,
Roubar os chapéus dos homens;
Não fico com eles, apenas atiro-os para longe,
E fico distante a vê-los correr atrás deles.

São aquelas brincadeiras de crianças que mantemos em adultos.

Mas quando te vejo ao longe,
Sentada naquele distante banco de pedra,
Logo corro de mansinho, para não te assustar.
Abraço-te tão levemente como um manto invisível,
Sopro-te ao ouvido notas tão pequenas como imperceptíveis,
E do fundo da espinha nasce o arrepio de prazer;
Um buliçoso pensamento que percorre o corpo contraído.

Mas quando me olhas não me vês;
Nunca me vês, apenas me imaginas.
Pois já cheguei e já parti,
Num movimento perpétuo impossível de parar.

Elevo-me no ar, o meu elemento;
Percorro o mundo, a minha natureza;
E faço respirar o mundo, para todo o sempre…