A corda Bamba


Há que seguir em frente, de cabeça erguida;

Passo a passo, prudente e cauteloso,
Pois a vida é cheia de percalços.
Há que encarar o objectivo e dele não tirar o olhar,
Pois a corda é bamba e balança ao sabor dos dissabores.
É que há dias em que a tempestade nos faz tremer os pés,
E instintivamente olhamos para baixo:
Então vemos precipício e vacilamos,
Tremem-nos as pernas que nem varas verdes,
Pressentimos aquela possível e inevitável queda…

Temos é de levantar o queixo e respirar fundo,
Engolir em seco e sorrir em volta.
Só então veremos o fundo da corda,
Para ao fundo chegarmos salvos.

Mas os ventos maléficos desta vida,
E a chuva pesada da idade,
Rebaixam-nos á nossa pequenez,
E prostrados visualizamos o pior.
Fixamos o abismo e a atracção pelo negativo toma conta de nós.
Perdemos o equilíbrio balançamos desorientados.
E no pior momento,
É quando não devemos que tombamos com o desespero.

Sentimos a força da queda a sugar-nos sempre para baixo,
Como se fosse o único sentido do sentido da vida.
O último pensamento é mesmo pensar que é o último.
E, se tivéssemos uma mais oportunidade,
Ficaríamos apenas tristes por não haver mais tempo.

2 comentários:

Brites dos Santos disse...

Belo texto.

Tomei a liberdade de incluir o seu link no meu Blog:
http://rimasfotoscompanhia.blogspot.pt/

Pedro Fonseca disse...

Obrigado pelo comentário.
Irei remodelar o aspecto do meu blog, nessa altura incluirei o seu blog!