Mais um Dia...


Vivemos dia-a-dia as mesmas coisas;
Desde da mera rotina ao "Deja Vu".
Mas olhamos para elas sempre de maneira diferente:
Conforme a nossa disponibilidade, o nosso estado de espirito e experiências anteriores.
Neste caso, o dia é sempre igual; a maneira como o vemos é que varia, deteriora-se.





Aqui fica o 1º dia - O Positivo

A vista para o mar é deslumbrante. Adoro relaxar nestas espreguiçadeiras.
É o conforto, o perfume do mar, é o rendilhado das ondas e o azul manchado que ajudam a acalmar. Respirar fundo depois de um dia de trabalho vigoroso.
É chegar cedinho ao emprego, pois os encargos são muitos e o tempo escasseia.
O chefe, sempre atento, não pára de verificar o meu trabalho. Tem muita responsabilidade.
Até os colegas vêem-se aflitos com tantas tarefas, é preciso ajuda-los para que tudo corra bem.
Muito trabalho, pouco tempo, menos descanso. Mas fica a sensação de dever cumprido.
Aqui; agora junto á água refrescante, mais um dia completo termina em pleno.

O 2º dia - O cansaço


A vista para o mar é sempre a mesma seca. Não consigo relaxar nestas espreguiçadeiras.
É o desconforto, o cheiro a peixe, é a indecisão do mar e aquele azul duvidável do céu não me tiram os problemas da cabeça. Não consigo respirar direito depois de um dia de trabalho cansativo.
É ter de chegar cada vez mais cedo, pois os encargos são cada vez mais e o tempo cada vez menos.
O chefe está constantemente em cima de mim; está sempre duvidoso enquanto eu me esmero a trabalhar.
Até os colegas pelam-se por passar as tarefas uns para os outros sem ninguém saber. Sou eu sempre que tenho de os fazer para que tudo corra bem.
Demasiado trabalho, pouco tempo, menos descanso. Fica a sensação de insatisfação naquilo que se faz.
Aqui; agora junto á água fria, mais um dia perdido termina sem conteúdo.

O 3º dia - O Desespero


A vista para o mar enjoa-me sempre. É impossível relaxar nestas espreguiçadeiras.
É as dores no corpo, o tresandar a marisco podre, é o crispar do mar e o azul trovoada do céu que me fazem revoltar contra tudo e contra todos. Parece que asfixio só de pensar na porcaria daquele emprego.
É nem dormir, pois os encargos são impossíveis de realizar e o tempo nunca chega para nada.
O estúpido do chefe não me larga. Está sempre a criticar o meu trabalho que faço na perfeição.
Até os estupores dos colegas não fazem um corno. Sobra sempre só para mim; o meu trabalho e o dos outros.
Trabalho impossível, tempo nenhum e descanso não existe. Fica a raiva a um emprego de merda e uma vida de bosta.
Aqui; agora junto á água nauseabunda, mais um dia que termina em desgraça, como se não existisse amanha.

1 comentário:

Dulce Morais disse...

A visão é a mesma mas o sentimento altera-se à medida que o estado de espírito do observador evolui. Bela ilustração do fenómeno!